Jacarandá-da-bahia

Madeira nobre de tonalidade castanho-arroxeada, marcada por veios escuros ondulados que revelam sua origem e nobreza. De alta densidade e grã fina, é valorizada pela estabilidade, durabilidade e beleza singular, sendo amplamente utilizada em mobiliário de alto padrão, peças artísticas e instrumentos musicais.

Família

Fabaceae

Tonalidade

Castanho-arroxeada

Estrutura

Veios escuros ondulados

Densidade

0,80 – 0,95 g/cm³

Usos

Mobiliário fino, marcenaria de luxo, instrumentos musicais, esculturas.

Grã

Direita, fina

Passaporte de Conservação

Cruzar IUCN, CITES, Lista Vermelha BR e regulamentação IBAMA é o único caminho seguro para uso comercial — cada camada cobre um aspecto diferente.
PRANCHA VISUAL

Jacarandá-da-bahia em quatro olhares

Da árvore viva à peça acabada — a trajetória da matéria, registrada como numa prancha de atlas.
I · A árvore · II · O tronco · III · A madeira · IV · A peça
01 · Sobre

Sobre a espécie

Poucas árvores brasileiras carregam tanta história quanto o jacarandá-da-bahia. Sua madeira atravessou oceanos antes mesmo de o Brasil ter esse nome, e ainda hoje é uma das mais cobiçadas — e mais protegidas — do mundo.

A madeira do jacarandá-da-bahia é considerada uma das mais nobres do mundo, por sua alta densidade, estabilidade e beleza. É também uma das espécies mais famosas, valiosas e protegidas do Brasil.

Jacarandá-da-bahia / Jacarandá-rosa / Caviúna / Graúna/ Brazilian rosewood / Rio rosewood / Bahia rosewood

02 · História

Importância histórica e cultural

– Madeira muito valorizada por ser densa, estável, decorativa e com alto desempenho acústico — o que levou a intensa exploração histórica.

– É uma das madeiras mais conhecidas do mundo.

– Embora “jacarandá” seja nome popular de várias espécies da família Bignoniaceae, o mais valorizado pelo mercado é o jacarandá-da-bahia, que é da família Fabaceae.

– É uma das espécies mais famosas, valiosas e protegidas do Brasil; suas características são notáveis e sua madeira tem altíssimo valor comercial e cultural.

– Encontra-se ameaçada de extinção, com exploração controlada ou proibida em grande parte.

03 · Taxonomia

Classificação botânica

04 · Geografia

Distribuição natural

Espécie endêmica do Brasil, associada a formações florestais da Mata Atlântica (Floresta Ombrófila Densa e Floresta Estacional).

Bahia / Espírito Santo / Minas Gerais / Rio de Janeiro / São Paulo / Paraná

– Árvore hermafrodita, polinizada principalmente por abelhas e pequenos insetos.

– Ocorre naturalmente em solos de baixa fertilidade química, com pH superior a 5,2.

– Adapta-se bem a terrenos ondulados e montanhosos, com solos argilosos e argilo-arenosos, profundos e de boa drenagem.

– É espécie semi-heliófila — tolera sombreamento leve a moderado, mas tem problemas com baixas temperaturas.

– Plantios puros a pleno sol devem ser evitados: as plantas apresentam crescimento desorganizado, com tronco curto e suscetibilidade a brocas.

– Originalmente ocorria em florestas tropicais úmidas, em altitudes entre 100 e 600 m; hoje as populações naturais estão muito reduzidas por desmatamento e exploração predatória.

05 · Morfologia

Morfologia da árvore

06 · Crescimento

Amadurecimento e corte

Escala editorial · não-linear no tempo cronológico.

Germinação - ano 0

Semente germina; plântula emerge

Muda estabelecida - 2 anos

Sistema radicular consolidado;

Crescimento ativo - 15 anos

Fase de maior incremento volumétrico anual.

Corte econômico - 30–40 anos

30 a 40 anos (referencial teórico)

Plenitude · 50–70 anos

50 a 70 anos

Senescência · 100+ anos

Árvore atinge longevidade máxima e declina gradualmente.

– Crescimento muito lento, especialmente em florestas nativas.

– Apenas árvores adultas apresentam coloração, densidade e resistência desejadas.

– Por ser espécie nativa protegida da Mata Atlântica, o corte só é permitido em manejo florestal autorizado ou plantios legais.

 
07 · Madeira

Características da madeira

– Brilho natural característico.

– Cerne muito durável e resistente a insetos.

– Boa usinagem, podendo embotar ferramentas.

– Colagem pode exigir preparo devido a extrativos.

– Excelente acabamento e estabilidade dimensional quando seca corretamente.

– Elevada resistência ao ataque de organismos xilófagos e à decomposição.

– Permeabilidade baixa à penetração de soluções preservantes.

08 · Aplicações

Utilização da madeira

09 · Status

Conservação e legislação

A mesma beleza que tornou o jacarandá célebre quase o levou ao desaparecimento. Sua história recente é a de uma espécie sob proteção máxima — e do que é preciso para usá-la com legalidade.

Para o status atualizado em todas as camadas regulatórias, ver Passaporte de Conservação no topo desta ficha.

– O jacarandá-da-bahia é uma espécie ameaçada de extinção devido à exploração intensa e à perda de habitat.

– O corte é proibido, salvo casos excepcionais com autorização ambiental específica — exigindo plano de manejo aprovado e legalidade da origem comprovada.

– Está listada no Apêndice I da CITES, nível máximo de proteção — o que torna o comércio internacional praticamente proibido, exceto em condições extremamente restritas.

– Toda madeira ou produto derivado deve obrigatoriamente apresentar Documento de Origem Florestal (DOF), nota fiscal e rastreabilidade completa.

 
10 · Notas

Informações complementares

– O termo “caviúna” é usado de forma genérica no mercado para designar madeiras de aparência semelhante, do mesmo gênero (Dalbergia) ou de gêneros próximos (Machaerium, Centrolobium). Nem toda caviúna é jacarandá-da-bahia, mas todo jacarandá-da-bahia é uma caviúna legítima.

– Pode haver limitações de uso para aplicações comuns — construção estrutural simples, exterior rústico, ambientes muito úmidos — em função do peso elevado, custo alto, trabalho especializado e disponibilidade restrita.

– Não há informações confiáveis sobre florestamentos existentes de jacarandá-da-bahia; historicamente, foi muito pouco cultivado comercialmente

– Apresenta germinação lenta e baixa taxa de sobrevivência em plantios.

– Grande parte da ocorrência corresponde à Mata Atlântica original, e não a plantações organizadas.

– O foco atual das entidades do setor está mais na preservação e restauração de fragmentos nativos do que em cultivos com fins produtivos.