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Madeira de cinamomo (Melia azedarach): o que diz a ciência

O cinamomo é conhecido no Brasil como árvore de sombra, mas pouco estudado como madeira. Veja o que dizem as pesquisas e como a seleção genética mudou o resultado no Mogno Bahia®.
24 de outubro de 2026
5 min de leitura

Muita gente conhece o cinamomo como árvore de sombra, de praça ou de fazenda. Porém, poucos sabem que ele pertence à mesma família botânica dos mognos e que a madeira de cinamomo tem aparência de madeira nobre. Por isso, este guia reúne o que as pesquisas dizem sobre Melia azedarach como madeira e explica por que a seleção genética muda tanto o resultado.

Rodela de Mogno Bahia®, variedade selecionada de Melia azedarach, mostrando o cerne da madeira de cinamomo

O que é o cinamomo

Em primeiro lugar, o cinamomo (Melia azedarach) é uma árvore da família Meliaceae, a mesma do mogno-brasileiro, do mogno-africano e do cedro. A espécie veio do sul da Ásia e chegou ao Brasil há muito tempo, onde se espalhou, sobretudo no Sul, como árvore ornamental e de sombra. Além disso, em algumas regiões, as pessoas a chamam de santa-bárbara ou para-raios. A Flora e Funga do Brasil traz o registro botânico da espécie.

Uma árvore de crescimento rápido

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi a velocidade de crescimento. Um documento da Embrapa sobre Melia azedarach registra incremento de 2,5 a 3,5 metros de altura por ano e de 24 a 44 m³ por hectare por ano em sítios favoráveis. O mesmo documento recomenda desramas nos dois primeiros anos para obter troncos limpos, sem nós.

Por isso, o cinamomo entrou em sistemas agroflorestais, como sombra para cafezais e abrigo para animais. Ainda assim, crescer rápido não basta para produzir madeira nobre.

Como é a madeira de cinamomo comum

Em geral, os estudos com árvores comuns, sem seleção, mostram uma madeira de cerne de tons quentes, parecida com a do cedro e fácil de trabalhar. Por outro lado, um artigo publicado na revista Cerne, em 2012, registra massa específica aparente média de cerca de 0,43 g/cm³ e propriedades mecânicas baixas, e por isso não recomenda essa madeira para uso estrutural.

Em outras palavras, a madeira de cinamomo comum varia muito. Afinal, árvores de origens diferentes produzem madeira com densidade, resistência e forma de tronco muito distintas. Esse é justamente o ponto de partida do trabalho de melhoramento genético.

Da árvore comum à variedade selecionada

De fato, foi essa variação que motivou o trabalho que deu origem ao Mogno Bahia®. No Oeste da Bahia, uma família de marceneiros reconheceu, em árvores plantadas décadas antes, uma madeira com propriedades raras. Assim, há mais de 30 anos começou ali um programa contínuo de seleção e melhoramento genético da família Melia.

Como resultado, surgiu o Mogno Bahia®, uma variedade seminal de Melia azedarach desenvolvida ao longo de quatro gerações. A diferença em relação à madeira de cinamomo comum está em três fatores: a base genética selecionada; a precocidade, com primeiro corte por volta do quinto ano; e um protocolo de produção próprio, aplicado e medido nas florestas da empresa.

Por que a seleção genética muda a madeira

Muitas características da madeira passam de uma geração para outra, como a densidade, a forma do tronco e a velocidade de crescimento. Por isso, quando um programa escolhe as melhores árvores como matrizes e repete essa escolha a cada geração, o resultado melhora de forma consistente. Esse processo se chama seleção fenotípica, porque parte do que se observa no campo.

Assim, depois de quatro gerações de melhoramento, a GWG chegou a uma madeira bem diferente da madeira de cinamomo comum. Além disso, o protocolo de manejo, com espaçamento, podas e irrigação definidos, ajuda a expressar esse potencial genético.

Usos da madeira de cinamomo

A literatura técnica cita a madeira de cinamomo em móveis, esquadrias, marcenaria, madeira serrada, laminados e faqueados. Porém, com a variação natural da espécie, cada lote se comporta de um jeito. Por isso, em projetos de alto padrão, a origem e a seleção do material fazem toda a diferença.

Madeira de cinamomo comum e Mogno Bahia® lado a lado

Cinamomo comumMogno Bahia®
Origem do materialÁrvores sem seleçãoQuatro gerações de melhoramento
Massa específica aparenteCerca de 0,43 g/cm³ (revista Cerne)0,600 a 0,700 g/cm³
Propriedades mecânicasBaixas, segundo a literaturaEnsaiadas pelo IPT
ProduçãoPlantios variadosProtocolo próprio, ciclo de cerca de dez anos

O que dizem os ensaios da madeira de cinamomo selecionada

Nos ensaios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a USP, com madeira de plantios de 7 a 8 anos, o Mogno Bahia® registrou compressão axial de 47 MPa, módulo de elasticidade de 12.368 MPa, cisalhamento paralelo de 13,1 MPa, tração normal de 6,1 MPa e fendilhamento de 1,3 MPa. Além disso, a densidade aparente fica entre 0,600 e 0,700 g/cm³, com grã fina, tipicamente direita, e boa estabilidade dimensional.

Ou seja, a mesma espécie, quando selecionada e manejada, chega a uma madeira de outra categoria. Para saber mais, a série técnica Árvores & Madeiras do Brasil, da área de Ciência Florestal da GWG, reúne pesquisa aplicada sobre espécies brasileiras e plantadas. Da mesma forma, o Atlas das Madeiras ajuda a comparar outras madeiras.

Perguntas frequentes

Cinamomo é uma boa madeira?

Depende da origem. A madeira de cinamomo comum varia muito e, segundo a literatura, tem propriedades mecânicas baixas. Já o material selecionado, como o Mogno Bahia®, chega a outra categoria.

Cinamomo é da família do mogno?

Sim. Melia azedarach pertence à família Meliaceae, assim como o mogno-brasileiro, o mogno-africano e o cedro.

O cinamomo cresce rápido?

Sim. Em sítios favoráveis, a Embrapa registra de 2,5 a 3,5 metros de altura por ano.

Qual a relação entre o cinamomo e o Mogno Bahia®?

O Mogno Bahia® é uma variedade seminal de Melia azedarach que a GWG desenvolveu em mais de três décadas de seleção e quatro gerações de melhoramento.

Para que serve a madeira de cinamomo?

A literatura cita usos em móveis, esquadrias, marcenaria e laminados. Porém, a qualidade varia muito entre lotes.

Revista Ciclo

A madeira, desde a origem.

Ensaios, ciência e mercado da madeira nobre, com dados das florestas e da pesquisa da GWG.

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