Quem pesquisa o que é mogno-africano logo encontra mais dois nomes parecidos: mogno-brasileiro e Mogno Bahia®. Os três pertencem à família Meliaceae, a família dos mognos. Porém, são espécies diferentes, com origem, regras de comércio e ciclo de produção próprios. Por isso, para quem especifica madeira ou estuda a silvicultura de madeira nobre, entender a diferença evita confusão na compra e no projeto.

Por que tantas madeiras se chamam mogno
O nome mogno começou a circular no comércio internacional por causa do mogno das Américas, do gênero Swietenia, valorizado desde o período colonial pela cor e pela estabilidade. Com o tempo, o mercado passou a usar o mesmo nome para outras madeiras de aparência parecida e da mesma família botânica. Assim, hoje existem vários mognos no mercado, e o nome popular, sozinho, não diz qual espécie está na peça.
Em outras palavras, o nome científico é o que separa uma madeira da outra. Ele aparece na documentação de origem e é o primeiro dado que um especificador deve pedir.
O que é o mogno-africano
O mogno-africano reúne espécies do gênero Khaya, nativas da África. No Brasil, a espécie mais plantada é a Khaya ivorensis, segundo a literatura técnica. De acordo com uma publicação da Embrapa sobre mogno-africano, a área plantada com mogno-africano no país já passava de 37 mil hectares em 2018, o que faz do Brasil, provavelmente, o maior plantador do gênero no mundo.
A mesma publicação descreve o mogno-africano como um investimento de médio prazo, com ciclo de 12 a 20 anos. Além disso, a espécie se adapta a regiões com chuvas acima de 1.000 mm por ano e solos bem drenados. Ou seja, o mogno-africano é outra espécie, de outro gênero, com exigências próprias de clima e de manejo.
Mogno-brasileiro: a madeira que virou símbolo de proteção
O mogno-brasileiro (Swietenia macrophylla) é nativo da Amazônia. Durante décadas, portanto, marceneiros e arquitetos o usaram no mobiliário e na arquitetura modernista do país. Mas a exploração intensa reduziu as populações naturais, e o comércio passou a sofrer restrições.
Em 2003, o Brasil suspendeu a exploração do mogno pelo Decreto nº 4.593/2003. No mesmo ano, a espécie entrou no Apêndice II da CITES, com efeito a partir de 15 de novembro de 2003, conforme o documento da CITES sobre o mogno-brasileiro. A regra vale para toras, madeira serrada, lâminas e compensado. Desde então, a exportação depende de licença e de controle de origem. Na prática, portanto, o mogno-brasileiro é uma madeira de uso restrito.
A broca-do-mogno e o fracasso dos primeiros plantios
Se o mogno-brasileiro é tão valioso, por que ninguém o planta em larga escala? A principal resposta é uma praga. A broca-do-mogno (Hypsipyla grandella) é a larva de uma mariposa que ataca o broto do topo das árvores jovens. Quando o broto morre, a árvore bifurca e forma troncos tortos ou curtos, que perdem valor como madeira.
Por isso, muitos plantios de mogno-brasileiro e de cedro fracassaram no país. Em parte, foi esse problema que abriu espaço para o mogno-africano nos plantios comerciais. Ainda assim, nenhuma espécie da família está totalmente livre de pragas, e o monitoramento faz parte de qualquer manejo sério.
Mogno Bahia®: uma variedade desenvolvida no Brasil
O Mogno Bahia® pertence a um terceiro gênero, Melia. Trata-se de uma variedade seminal de Melia azedarach, que a GWG desenvolveu no Oeste da Bahia ao longo de mais de três décadas de seleção e quatro gerações de melhoramento genético. Inclusive, a marca está registrada no INPI desde junho de 2025.
Além disso, o Mogno Bahia® produz madeira nobre em ciclos de aproximadamente dez anos, com dois cortes planejados. O primeiro corte, por volta do quinto ano, retira metade das linhas de plantio. Em seguida, o segundo corte, por volta do décimo ano, colhe as linhas restantes.
Mogno-africano, mogno-brasileiro e Mogno Bahia® lado a lado
| Mogno-brasileiro | Mogno-africano | Mogno Bahia® | |
|---|---|---|---|
| Gênero | Swietenia | Khaya | Melia |
| Origem | Nativo da Amazônia | Nativo da África, plantado no Brasil | Variedade desenvolvida no Brasil pela GWG |
| Situação | CITES Apêndice II desde 2003 | Plantios comerciais | Florestas próprias da GWG |
| Ciclo de produção | Longo, em condições naturais | 12 a 20 anos (Embrapa) | Cerca de dez anos, em dois cortes |
| O que pedir na compra | Licença e DOF | Origem do plantio | Origem da floresta e lote |
O que o ciclo de produção muda para quem compra
O ciclo não interessa só a quem planta. Para quem compra madeira, ele define a regularidade da oferta. Uma floresta de ciclo longo entrega madeira em intervalos de muitos anos, enquanto florestas plantadas em sequência, com idades escalonadas, podem abastecer o mercado de forma contínua.
Além disso, a madeira de floresta plantada tem idade, origem e manejo conhecidos. Assim, o especificador consegue pedir o mesmo padrão em novos lotes, o que é difícil com madeira de origem variada.
Como identificar o mogno-africano na compra
- Peça o nome científico da espécie, porque “mogno” sozinho não identifica a madeira.
- Confira a origem: plantio comercial, floresta nativa ou floresta própria do produtor.
- Para madeira nativa, exija o Documento de Origem Florestal (DOF).
- Compare amostras lado a lado, já que cor e veio mudam entre as espécies.
Qual escolher para um projeto
Para o especificador, a pergunta prática é de onde vem a madeira e que propriedades ela tem. Nos ensaios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a USP, com madeira de plantios de 7 a 8 anos, o Mogno Bahia® registrou compressão axial de 47 MPa, módulo de elasticidade de 12.368 MPa, cisalhamento paralelo de 13,1 MPa, tração normal de 6,1 MPa e fendilhamento de 1,3 MPa. Além disso, a densidade aparente fica entre 0,600 e 0,700 g/cm³, com grã fina e boa estabilidade dimensional.
Nas florestas da GWG, acompanhadas há mais de 30 anos, a equipe também não observou ataque da broca-do-mogno (Hypsipyla grandella), praga que limita o cultivo de outros mognos. Mesmo assim, o manejo inclui monitoramento contínuo. Por fim, antes de comparar com o mogno-africano ou outras espécies, vale consultar o Atlas das Madeiras.
Perguntas frequentes
Não, porque o mogno-africano pertence ao gênero Khaya. O Mogno Bahia® é uma variedade seminal de Melia azedarach, desenvolvida no Brasil pela GWG.
Segundo a literatura técnica, é a Khaya ivorensis. Ainda assim, há plantios de outras espécies do gênero.
Porque a espécie está no Apêndice II da CITES desde 2003, e o comércio depende de licença e controle de origem.
O ciclo tem cerca de dez anos. Assim, o primeiro corte acontece por volta do quinto ano e o segundo, por volta do décimo.
É a larva de uma mariposa, a Hypsipyla grandella, que ataca o broto das árvores jovens. Por isso, ela deforma o tronco e limita os plantios de mogno-brasileiro.