Teca é boa? Cedro é boa madeira? E o cumaru? Essas perguntas aparecem sempre que alguém especifica madeira para móveis, decks e esquadrias. Afinal, cada espécie tem seu ponto forte, e nenhuma é a melhor para tudo. Por isso, este guia compara quatro madeiras pelos critérios que mais pesam num projeto: densidade, durabilidade, trabalhabilidade e origem.

Antes de comparar: os números de densidade não são iguais
Ao comparar madeiras, muita gente coloca lado a lado números medidos de jeitos diferentes. A densidade básica usa a massa seca e o volume da madeira saturada de água, enquanto a densidade aparente mede a madeira com um teor de umidade definido, em geral 12% ou 15%. Por isso, a densidade básica costuma dar um número menor. Além disso, a idade da árvore e a origem do plantio mudam bastante o resultado.
Teca é boa? O que a madeira de teca oferece
A teca (Tectona grandis) é de origem asiática e muito plantada no Brasil, sobretudo em Mato Grosso, no Pará e em Roraima. Segundo um comunicado técnico da Embrapa sobre teca, os primeiros plantios comerciais em Mato Grosso começaram no início dos anos 1970, em Cáceres. Em 2012, a área plantada no país somava cerca de 67 mil hectares.
A fama da teca vem do cerne, que tem alta durabilidade natural e resiste a insetos e à umidade. Por isso, ela aparece em decks, móveis de área externa e na náutica. Em contrapartida, a densidade muda muito com a idade: um estudo com teca de seis anos em Mato Grosso encontrou média de 0,470 g/cm³, bem abaixo dos valores de árvores adultas. Ou seja, a teca é boa, desde que a madeira venha de árvores com cerne formado.
Durabilidade natural: o que significa
Durabilidade natural é a resistência da madeira, sem tratamento químico, ao ataque de fungos e insetos. Em geral, ela está no cerne, por causa dos extrativos. O alburno, por outro lado, costuma ser pouco durável em quase todas as espécies.
Por isso, a teca é boa para área externa quando a peça usa só o cerne. Da mesma forma, qualquer madeira em contato com chuva e sol precisa de acabamento e manutenção, mesmo as mais duráveis.
Cedro: leveza e trabalhabilidade
Por outro lado, o cedro (Cedrela spp.) é uma madeira leve, de cheiro característico e fácil de trabalhar. Assim, marceneiros o usam em esquadrias, molduras, caixas de instrumentos e marcenaria fina. Ele também pertence à família Meliaceae, como os mognos. A literatura registra densidade aparente entre 0,47 e 0,61 g/cm³. Como o cedro é nativo, porém, a compra depende de origem legal e documentação.
Cumaru: dureza e resistência
Em contraste com o cedro, o cumaru (Dipteryx odorata) é uma madeira muito pesada e dura. Um estudo registrou densidade básica média de 0,88 g/cm³, o que equivale a valores bem mais altos na densidade aparente. Por isso, o cumaru resiste ao desgaste e domina pisos e decks. Em contrapartida, o peso e a dureza dificultam a usinagem e encarecem a marcenaria. Vale lembrar que o nome cumaru também designa outra espécie, a Amburana cearensis, então convém confirmar o nome científico.
Custo de trabalho: o que pesa além do preço
O preço do metro cúbico é só parte da conta. Madeiras muito duras, como o cumaru, gastam mais ferramenta e mais horas de marcenaria. Além disso, madeiras com grã irregular perdem mais material na usinagem. Assim, uma madeira de densidade média e grã direita pode sair mais barata no móvel pronto, mesmo custando mais por metro cúbico.
Teca é boa ou o Mogno Bahia® atende melhor?
Finalmente, o Mogno Bahia® é uma variedade seminal de Melia azedarach desenvolvida pela GWG. Ele tem densidade aparente de 0,600 a 0,700 g/cm³, grã fina, boa estabilidade dimensional e trabalhabilidade excelente. Nos ensaios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em parceria com a USP, com madeira de plantios de 7 a 8 anos, registrou compressão axial de 47 MPa, módulo de elasticidade de 12.368 MPa, cisalhamento paralelo de 13,1 MPa, tração normal de 6,1 MPa e fendilhamento de 1,3 MPa.
| Teca | Cedro | Cumaru | Mogno Bahia® | |
|---|---|---|---|---|
| Densidade | Varia com a idade (0,47 g/cm³ aos 6 anos, MT) | 0,47 a 0,61 g/cm³ (aparente) | 0,88 g/cm³ (básica) | 0,600 a 0,700 g/cm³ (aparente) |
| Ponto forte | Durabilidade em área externa | Leveza e trabalhabilidade | Dureza e resistência | Estabilidade e trabalhabilidade |
| Usos típicos | Decks, móveis externos, náutica | Esquadrias, molduras | Pisos, decks | Mobiliário, portas, painéis |
| Origem | Plantada (asiática) | Nativa | Nativa | Florestas plantadas da GWG |
Então, teca é boa? Qual escolher
- Área externa e contato com água: teca com cerne formado.
- Esquadrias e peças leves: cedro de origem legal.
- Pisos e alto desgaste: cumaru, com atenção à usinagem.
- Móveis de interior, portas e painéis: madeiras médias e estáveis, como o Mogno Bahia®.
De qualquer forma, a teca é boa para o que ela faz melhor, e o mesmo vale para as outras. Para comparar mais espécies, consulte o Atlas das Madeiras.
Perguntas frequentes
Sim, principalmente para móveis de área externa, porque o cerne resiste à umidade e a insetos. Para interiores, porém, outras madeiras médias também atendem bem.
Porque depende da idade da árvore e do plantio. Teca jovem, por exemplo, tem densidade bem menor que teca adulta.
O cumaru, já que é uma das madeiras mais densas do mercado. A teca, por outro lado, fica na faixa média.
Na faixa das madeiras médias, de 0,600 a 0,700 g/cm³. Assim, atende mobiliário, portas, painéis e revestimentos.
Sim, sobretudo em área externa. Embora o cerne seja durável, o acabamento protege a cor e a superfície.