Peroba-rosa

A peroba-rosa é uma espécie arbórea nativa da Mata Atlântica, de médio a grande porte, cuja madeira é valorizada pela resistência, durabilidade e coloração característica. Sua madeira, resistente, durável e de coloração rosada, é muito utilizada em estruturas, pisos e marcenaria fina.

Peroba-rosa · a árvore

Família

Apocynaceae

Tonalidade

Cerne rosado a vermelho-rosado

Estrutura

Veios marcantes

Densidade

0,65 a 0,85 g/cm³

Usos

Telhados, vigas, dormentes, cruzetas, painéis, revestimentos e móveis de alto padrão.

Grã

Direita a levemente revessa

Passaporte de Conservação

Cruzar IUCN, CITES, Lista Vermelha BR e legislação é o único caminho seguro para uso comercial — cada camada cobre um aspecto diferente.

PRANCHA VISUAL

Peroba-rosa em dois olhares

Da árvore viva à peça acabada — a trajetória da matéria, registrada como numa prancha de atlas.
I · A árvore · II · A madeira
01 · Sobre

Sobre a espécie

A peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) é uma das árvores mais emblemáticas da Mata Atlântica e possui grande relevância histórica, econômica e cultural no Brasil, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.
Considerada uma madeira nobre estrutural, tornou-se símbolo da ocupação agrícola e urbana do interior paulista e paranaense.
É uma espécie atualmente protegida por legislação ambiental e listada como ameaçada devido à exploração excessiva e à perda de habitat.

Amargoso / Peroba / Peroba-açu / Peroba-mirim / Peroba-rajada
02 · História

Importância histórica e cultural

– Entre o final do século XIX e meados do século XX, a peroba-rosa foi amplamente explorada durante a ocupação do interior de estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

– Sua madeira resistente e durável foi essencial para construção de casas, igrejas e armazéns; dormentes ferroviários; pontes e estruturas rurais; e móveis de alta qualidade.

– Na colonização do Paraná, a peroba-rosa tornou-se símbolo da abundância florestal: árvores gigantescas eram comuns e marcaram a memória coletiva da região.

– Participa do patrimônio arquitetônico nacional, pois muitos casarões, fazendas históricas e edifícios públicos brasileiros ainda preservam assoalhos, portas e janelas, forros e escadarias.

03 · Taxonomia

Classificação botânica

04 · Geografia

Distribuição natural

A peroba-rosa é uma árvore nativa do Brasil e de países vizinhos da América do Sul. No Brasil, há registros naturais em florestas estacionais semideciduais da Mata Atlântica. Sua ocorrência é especialmente marcante no oeste paulista e no norte do Paraná.
Mapa de distribuição · Peroba-rosa
Bahia / Minas Gerais / Espírito Santo / Rio de Janeiro / São Paulo / Paraná / Santa Catarina / Rio Grande do Sul / Mato Grosso do Sul

– Também ocorre naturalmente em: Argentina / Paraguai / Bolívia

– Habitat: Florestas estacionais semideciduais; Solos férteis e profundos; Regiões de clima tropical e subtropical; Historicamente abundante em solos férteis (terra roxa), hoje encontra-se pouco presente em florestas naturais; A espécie é considerada um ícone da riqueza florestal brasileira e um símbolo da necessidade de conservação.

05 · Morfologia

Morfologia da árvore

06 · Crescimento

Amadurecimento e corte

Escala editorial · não-linear no tempo cronológico.

Corte econômico · 30 a 45 anos

idade econômica de corte, em média, podendo variar conforme condições ambientais

Plenitude · 50 a 80 anos

a plenitude de qualidade da madeira ocorre, em geral, entre 50 e 80 anos

– A peroba-rosa apresenta crescimento médio a lento.

– Devido a seu crescimento mais lento, não é muito selecionada para florestamentos comerciais.

– Longevidade: Mais de 200 anos · tem alta longevidade: pode viver mais de 200 anos

07 · Madeira

Características da madeira

– Odor: pouco pronunciado.

– Permeabilidade: baixa (difícil tratamento com preservante).

– Estabilidade dimensional: boa após secagem.

– Desempenho estrutural: intermediário a bom, adequado para construção civil tradicional.

– Resistência a cupins e fungos apodrecedores: boa.

– Resistência ao tempo e desgaste: boa.

– Aplainamento e lixamento: ótimos acabamentos.

– Colagem: fácil.

– Secagem: relativamente lenta, com risco moderado de empenamento e ocorrência de rachaduras.

– Trabalhabilidade: boa, embora possa causar desgaste moderado de ferramentas.

– A madeira da peroba-rosa é muito apreciada por seu tom rosado e veios marcantes.

– Densidade: Média a alta (0,65 a 0,85 g/cm³).

– Porosidade: Difusa, com veios médios a grandes, visíveis a olho nu.

– Retratibilidade volumétrica (2º valor): 13,1%

08 · Aplicações

Utilização da madeira

Telhados
Vigas
Dormentes
Cruzetas
Painéis
Revestimentos
Móveis de alto padrão

– Reflorestamento da Mata Atlântica

– Arborização urbana (pouco comum)

– Recuperação de áreas degradadas

– Importante para conservação da biodiversidade

09 · Status

Conservação e legislação

A espécie encontra-se atualmente rara em florestas naturais, sendo protegida por legislação ambiental.

– Sujeita às regras do Código Florestal Brasileiro.

– Na Mata Atlântica, aplica-se a Lei nº 11.428/2006.

– Corte permitido apenas em plantios legais e em manejo florestal autorizado.

– Espécie de alto valor para conservação genética.

10 · Notas

Informações complementares

– A peroba-rosa possui elevada importância ecológica, contribuindo para a estrutura das florestas e para a conservação da biodiversidade.

– A resistência à flexão e à compressão está em patamares elevados para madeiras tropicais, indicando que a peroba-rosa é adequada para aplicações estruturais moderadamente exigentes.

– O módulo de elasticidade (rigidez) é moderado-alto, o que sugere boa rigidez para dimensionamento estrutural, embora não se equipare às madeiras de rigidez extrema.

– É uma madeira naturalmente durável e resistente ao ataque biológico, mas não indicada para uso permanente, ao ar livre, sem proteção.

– O tom rosado e a textura uniforme fazem com que seja considerada uma das madeiras mais bonitas do Brasil.

– Tem como vantagens: excelente resistência mecânica para uso estrutural; boa densidade e dureza, o que favorece durabilidade de superfície e oferece resistência à abrasão; estabilidade dimensional razoável, com retrações moderadas; aspecto estético valorizado.

– Apresenta como prováveis limitações: a durabilidade natural não é tão alta quanto a de algumas das melhores madeiras tropicais, requerendo tratamento ou proteção; a densidade e a possível grã revessa requerem boas ferramentas e técnicas; o peso elevado pode ser desvantagem em estruturas onde o peso próprio é crítico ou em transporte pesado; disponibilidade e custo podem ser restritos, em razão da conservação da espécie.

11 · Sugestões

Conheça mais espécies

Fabaceae

Jacarandá-da-bahia

Nativa da Mata Atlântica, valorizada pela madeira escura e resistente. Ameaçada de extinção e listada no Apêndice I da CITES.

DENSIDADE: Alta

Malvaceae

Pau-de-balsa

Árvore tropical da família Malvaceae, conhecida por produzir uma das madeiras mais leves do mundo.

DENSIDADE: Baixa

Simaroubaceae

Marupá

Árvore tropical particularmente comum em florestas da Amazônia e da Mata Atlântica. Sua madeira clara, leve e de fácil trabalhabilidade possui diversas aplicações industriais.

DENSIDADE: Baixa

Fabaceae

Ingá

Árvore tropical amplamente distribuída na América, de grande importância ecológica, agrícola e alimentar, destacando-se em sistemas agroflorestais e projetos de recuperação ambiental.

Fabaceae

Guapuruvu

Árvore nativa da Mata Atlântica, conhecida por seu crescimento extremamente rápido e grande porte.

DENSIDADE: Baixa

Moraceae

Figueira

Árvore tropical de grande porte, amplamente distribuída na América. Possui grande importância ecológica, pois fornece alimento e abrigo para diversas espécies da fauna.

DENSIDADE: Baixa